sábado, 9 de agosto de 2014

Manifesto pela cultura na cidade de São Paulo

ATENÇÃO QUEBRADAS TODAS!!!

CONTAGEM REGRESSIVA... FALTAM 26 DIAS PARA O PREFEITO CUMPRIR SUA PALAVRA E ASSINAR O DECRETO PARA A TRANSFERÊNCIA DA GESTÃO DAS CASAS DE CULTURA PARA A SMC.

Nesta segunda, 04/08, estivemos (junto com outros coletivos periféricos da cidade) no evento de lançamento da plataforma Mapas Culturais, organizado pela prefeitura de SP. Fomos lá mais uma vez para defender o óbvio: a novela das Casas de Cultura. A pauta mais comum e agonizante de todas as quebradas que anseiam por cultura como direito. Raqueamos o evento burguês, intervimos e lemos a carta-denuncia para todas otoridades ali presentes, causamos um constrangimento nos defensores da velha política e demos nosso primeiro recado. 

Mediante o feito, o Prefeito Fernando Haddad se comprometeu publicamente em cumprir com a promessa que já corre desde o início da gestão, diversas vezes reiteradas pelo Secretário de Cultura Juca Ferreira, de transferir as Casas de Cultura para SMC nos próximos dias.

E agora o prazo já está correndo, 30 dias pra resolver este sapo que a periferia vem engolindo há 10 anos. Iniciamos a contagem regressiva e se não sair, a chapa vai esquentar, vai ser lama pra todo lado. A periferia vai cobrar e incomodar mesmo!!! Seremos a pedra no sapato, a mosca da sopa! E não adianta dar chilique e nem chamar pro café! Não negociaremos nossos direitos!

Fórum de Cultura da Zona Leste






[Fotos: Amanda Freire] (observe as caras e bocas)



DENÚNCIA SOBRE AS CASAS DE CULTURA DO MUNICÍPIO DE SP
Ao longo de 10 anos as Casas de Cultura passaram por um processo de sucateamento e abandono generalizado. Com a mudança de gestão na Prefeitura, alimentamos a esperança de que este processo fosse revertido. É unanimidade nos quatro cantos da cidade, entre todas as coletividades, grupos, agentes culturais e comunidades que as Casas devem retornar para a gestão da Secretaria Municipal de Cultura (SMC).

As Casas de Cultura até o momento estão vinculadas às subprefeituras, que por sua vez, estão loteadas para os vereadores, os quais distribuem os cargos de coordenação das Casas ao seu bel prazer, sem qualquer compromisso com a qualificação profissional das pessoas indicadas para exercer a função. O orçamento para cultura nas subprefeituras é escasso, quase inexistente. Falta vontade política para melhorar a situação e, a comunidade que deveria ser beneficiada com este equipamento cultural público, acaba pagando o preço.

É VERGONHOSO ver as Casas de Cultura no balcão de negócios de distribuição de cargos, enquanto as comunidades agonizam com pouquíssimas opções de lazer e cultura, principalmente nas periferias do município de SP.

O Secretário de Cultura, Juca Ferreira, assumiu publicamente o compromisso, desde o primeiro encontro #EXISTEDIÁLOGOEMSP (em 05/02/2013) e em diversas reuniões, encontros e seminários posteriores, de que as Casas de Cultura retornariam à SMC, faltando para isso apenas “resolver alguns trâmites burocráticos” para que fosse publicado o decreto. Porém, até o momento (com mais de 1 ano e 5 meses), o que vemos é uma inércia e nenhum empenho em resolver logo este problema que tanto aflige as periferias da Cidade.

É triste ter que defender o óbvio, mas é necessário dizer: as Casas de Cultura são o berço de diversas coletividades e grupos, e em muitos casos são o primeiro contato de muitas crianças, adolescentes e jovens com a arte e a cultura. Não podemos deixar que em nome da “governabilidade” as casas permaneçam sucateadas e ainda com a velha política.

Portanto, EXIGIMOS:
·         RETORNO IMEDIATO DAS CASAS E SUPERVISÕES DE CULTURA PARA A GESTÃO DA SMC!
·         2% PRA CULTURA JÁ (de forma descentralizada de acordo com a densidade demográfica)!
·         REGULARIZAÇÃO DOS ESPAÇOS CULTURAIS QUE OCUPAM ESPAÇOS PÚBLICOS!
·         TRANSPARÊNCIA NO ORÇAMENTO DA CULTURA!

CHEGA DE SERMÃO! QUEREMOS VER AÇÃO!
CHEGA DE FROUXURA! QUEREMOS MAIS CULTURA!
 
Assinam este documento: cidadãos, artistas e diversas coletividades da cidade, dentre elas:
Fórum de Cultura da Zona Leste
Rede Popular de Cultura M’Boi Campo Limpo
Bloco de Ocupação Cultural de Espaços Públicos
Fórum de Cultura de São Mateus
IMCITA
Cultura ZL
Coletivos Culturais de Cidade Ademar e Pedreira
Movimento Cultural da Penha
FORUM HIP HOP Municipio de SP
Movimento Cultural de Itaquera
Sarau O que dizem os umbigos
Coletivo ALMA
Brava Companhia
Grupo doBalaio
Reação Arte e Cultura
Jornal Voz da Leste
Coletivo Perifatividade
Grupo Transformar
Sucatas Ambulantes
Cia. Mapinguary
Trupe Kuaracï-abá (cabelos do sol).
Coletivo Fora de Frequência
Grupo musical Forró di Muié
Bloco do Beco
Sede móvel Pq. Belém
Cenário Periférico
Cineclube Kinopheria
Trupé na Rua
Sarau Literarua
Sacolão das Artes
Sarau da Quebrada
Coletivo Fora de Frequencia
Sarau dos Loucos
Jaçarau
Graffiz Festa
Prá,çarau
Banda Gricerina
Cia de Artes Decalogo JALC
Parábola
Kiwi Companhia de Teatro
IPJ - Instituto Paulista de Juventude
Sarau A Voz do Povo
Jornal José Bonifácio
Banda Nego Veio
Fórum Permanente de Cultura de Taboão da Serra
Bloco das Cores
Muros que gritam
Velha Guarda do Helga
Manulo Silva Sauro grafite
TV Doc Fundão
Sarau Candeeiro
Tv Doc Capão
Marcelo Ribeiro - prod. cultural/M'boi Mirim
Agencia Solano Trindade
Sociedade Samba Dá Cultura
Casa de Cultura de M'Boi
Mestre Arakunrin (capoeira)
Grupo Espírito de Zumbi
Espaço Cultural CITA
Bloco Afro É di Santo
Grupo Teatral Cavalo de Pau
Grupo da Melhor Idade Flor de Lis
Hugo Paz
Conselho Gestor da CECCO Pq. Raul Seixas
Coletivo da Albertina
No Batente
Cia Porto de Luanda
Nhocuné Soul
Itaquera na Cena
PelaArtePelaZuera
Pastoral da Juventude São Mateus
Engrenagem Urbana
Associação de Moradores Jardim Helian Itaquera
Observatório da Juventude
Jongo dos Guainás
Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes
Edvaldo Santana
Cordão Carnavalesco Boca de Serebesque
Cia Oslo
Cine Campinho
Casa das Crioulas
Pula o Muro - Blog
Comunidade Cultural Quilombaque
AGENDES
Rua de Lazer
Viela Cultural
Fórum Popular de Saúde de Itaquera
Cultura Leste - Blog
CEDECA Sapopemba
Centro de Direitos Humanos de Sapopemba
Juntas na Luta
Pombas Urbanas
M.A.P. Movimento Aliança pela Praça
Banda Zabah Bush
Tenda Literária
Amigos da Tinta Guaianases
Uneafro-Brasil
Poesia Maloqueirista
Assoc. Franciscana de Defesa de Direitos e Formação Popular
Blog NegroBelchior
Associação de Moradores Povo em Ação (Valo Velho)
ConexÃo Circo
Peu Pereira Audio Visual ZS
GRUPO U-CLÃN
Projeto Vida Corrida
PoetaS Luan Lundo, Augusto, Casulo
Clamarte
Menor Slam do Mundo
Sarau do burro e Selo do burro
Brechoteca
Sarau do binho
Encontro de Utopias
Poetas do Tietê
Slam da Guilhermina
Galpão Arthur Netto
Comunidade Samba da Vila
 
A carta segue aberta para assinaturas. E-mail forumdeuclturadazonaleste@gmail.com   ou dá um salve no face do fórum.  

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O PARQUE

Leonardo André


Existe um blog do Instituto Moreira Sales - IMS - dedicado aos temas Arte e Cultura no ano de 1964, o ano do Golpe. O título desse blog é Em 1964 e lá me deparei com uma resenha de ninguém menos que Carlos Drummond de Andrade sobre o curta O PARQUE. achei tudo muito interessante e por isso resolvi postar aqui. Publico abaixo o vídeo (por incrível que pareça, está no Youtube) e a resenha logo abaixo.




O PARQUE* é um filme experimental realizado pelos alunos do Curso de Iniciação ao Cinema, idealizado, organizado, coordenado e levado, pela professora Maria José de Sant'Anna Alvarez, a uma escola pública secundária dos arredores do Rio de Janeiro.


Os alunos do curso tinham de 11 a 18 anos de idade. Aprenderam, com cineastas desinteressados, a construir um argumento cinematográfico e desenvolve-lo sob a forma de roteiro. Participaram da feitura do plano de produção o da rodagem da fita. As filmagens foram realizadas durante as férias escolares de julho, aos sábados e domingos, quando havia sol. Em cada sessão, era projetado, analisado e discutido o resultado da filmagem anterior, fazendo-se as refilmagens quando necessárias.



O curso de iniciação ao Cinema compreendeu cinco fases principais:



1. 1 mês de planejamento global do curso, elaborado pela professora, com a assessoria de técnicos;

2. 3 meses de preparação teórico-prática, abrangendo conceituação de cinema, técnica cinematográfica, direção e interpretação de atores, sob a forma de aulas, palestras, projeções de filmes e "slides" e debates em torno da exibição de copiões;

3. 1 mês de produção do filme exercício "O PARQUE": concurso e seleção de argumentos, escolha de locais, plano de produção;

4. 1 mês de filmagem, só em exteriores, com equipamento precário e emprestado, nas ruas, praças, estradas e favelas de pequena localidade;

5. 3 meses de montagem da fita, realizada com os meninos, na casa da professora, usando-se equipamento cedido por empréstimo. professores do curso acompanharam a filmagem, e a montagem, na qualidade de supervisores, integrando-se na equipe infanto-juvenil em igualdade de condições com os alunos. Revelação, cópia, sonoplastia, gravação, mixagem e trucagem de letras foram trabalhos pagos pela professora Maria José de Sant'Anna Alvarez a laboratórios e estúdios profissionais e duração de 8 meses.

"O PARQUE" custou a seus idealizadores -- Maria José e Reynaldo Alvarez -- dois anos de lutas e despesas totais que já ultrapassam, de muito, um milhão de cruzeiros. O esforço foi recompensado pela revelação de algumas vocações promissoras (como o fotógrafo de 17 anos, a desenhista da apresentação do filme, de 15 e o ator de 11), pela formação de uma consciência cinematográfica, pelo desenvolvimento do espírito crítico, da capacidade de iniciativa, do senso de responsabilidade e do interesse pelos estudos entre os ex-alunos do curso.



Repercussão: A Sessão do Conselho Nacional de Cultura e do Clube de Cinema do Rio de Janeiro. Local -- auditório do Ministério da Educação e Cultura. Quatrocentas pessoas. Êxito completo.

Exibição prévia na Agência Nacional. Projeção especial no Festival de Cinema de Teresópolis. Seis exibições pela televisão, no Rio. Duas na Bahia. Melhor da Semana da televisão carioca. A equipe recebe o troféu Walmap. Primeiro prêmio no Festival de Curta Metragem da Bahia. Ganhador em 1971 do Canadian International Amateur Film Festival em Ontario, Canadá.





* Vídeo e texto extraídos do canal de Igor Malvina no Youtube

O parque – por Carlos Drummond de Andrade**

1º Caderno, Imagens imprevistas

Quando me telefonaram dizendo que fosse ver na exibição especial o filme dos meninos de Jacarepaguá, tomei a coisa na brincadeira e prometi a mim mesmo não ir: já brincamos tanto, em tantos assuntos sérios, por que brincar também de cinema?
Então o filme, de sabido, apareceu lá em casa, levado pela televisão, e fez-se assistir durante 15 minutos e 37 segundos. Não contei no relógio esse tempo, que dá para a gente bocejar muito, e vira eternidade se uma coisa nos entedia. O jornal é o que marcou o período de projeção, pois na realidade, vendo se sucederem as imagens de O Parque, fui sendo conquistado pelo que via, e o tempo que senti passar foi o tempo emocional e humano da história do filme.
História bem simples, saída da imaginação de uma garota de 15 anos, mas que daria um conto admirável de Marques Rebelo, uma grande página de Rachel de Queiroz ou de algum outro mestre literário. Um menino vê chegar o parque de diversões e não tem dinheiro para frequentá-lo. Faz tudo por obter uns cobres; vai a ponto de vender o seu passarinho de estimação. Quando se aproxima do local, com o dinheiro no bolso, o parque já foi desmontado. Só lhe resta olhar com melancolia as marcas das estacas no chão, os cavalos do carrossel jogados em terra e o triste montinho de notas que não servirão para nada. Perdeu o passarinho e não teve o parque.
O filme… Para avaliar o filme é preciso saber como nasceu e foi feito. Uma professora inteligente, Maria José Alvarez, reparou no interesse pedagógico de ensinar um pouco de cinema a seus alunos do Colégio Estadual Brigadeiro Schorcht. O cinema é hoje uma parte da vida de todos nós. Levá-lo à escola, não apenas para ser contemplado, mas para ser vivido, é despertar estímulos, criar espírito de colaboração, entusiasmar, dinamizar. E foi o que aconteceu. Um curso experimental de cinema foi dado por três meses por profissionais. A equipe de alunos discutiu argumentos, compôs roteiro técnico, estabeleceu plano de produção, selecionou intérpretes. A filmagem aconteceu nas férias de julho do ano passado, a céu aberto, nas estradas e ruas de Jacarepaguá. O ator principal é um garoto de 11 anos. O diretor de fotografia tem 17. O desenho de apresentação é de uma garota de 15. Os atores trabalham também na parte técnica. E o filme, sem intuito comercial, é claro, e sem pretensão de obra de arte, é uma dessas felizes criações do talento natural a que não faltou vontade de aprender e de fazer mostrando o que se pode esperar da juventude em imaginação e trabalho, em poesia aplicada à vida.
Porque é um ato de poesia, O Parque, e vê-lo é ter contato com algo de puro e de vivo, que quer manifestar-se, e que o consegue através do caminho mais imprevisto; crianças fazendo cinema, com seriedade e intuição, com sensibilidade e poder de comover-nos. O menino que não entrou no parque entra em nossa alma.

** Publicado no jornal Correio da Manhã, em 31 de julho de 1964 / Biblioteca Nacional

***

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Des[água]

Divulgação 
Texto e imagens do Coletivo ALMA 


Montagem teatral de rua do coletivo ALMA (Aliança Libertária Meio Ambiente) trata da mercantilização da água como metáfora para discutir a expansão desordenada e desigual das cidades. A partir do teatro épico e com músicas especialmente compostas para a peça, o grupo propõe a reflexão sobre o processo de urbanização nas várzeas dos rios brasileiros.

Foto: Annaline Curado
Foto: Annaline Curado

Estreado em junho de 2013, no Largo do Rosário, em Mogi das Cruzes, o espetáculo teatral [Des]água é fruto de uma expedição de dez meses pelas comunidades do Alto Tietê, conhecendo as riquezas, belezas e contrastes da região, e de uma intensa pesquisa artística (que incluiu intervenções performáticas às margens do Rio Jacú). Sua montagem e primeira temporada foram realizadas com recursos do PRONAC – Programa Nacional de Apoio à Cultura, do Ministério da Cultura, contando com mais de trinta apresentações distribuídas pela zona leste de São Paulo e municípios da região das Cabeceiras do Tietê. Agora, o espetáculo retorna à circulação em uma segunda temporada, contemplada pelo ProAC - Programa de Incentivo à Cultura do Estado de São Paulo, levando provocações e diversão a outros municípios da região metropolitana, interior e litoral paulista entre julho e setembro.


Dirigidos por Edgar Castro, artista da premiada Cia. Livre, e Rani Guerra, do também premiado grupo Esparrama, o Coletivo Alma encena a história de dois povos (o povo bacia, que celebra a natureza, e o povo pneu, que aprisiona a força das águas) e que, após um conflito, se veem afetados pelos destroços de uma enchente. A fábula mostra de forma crítica e lúdica os processos de ocupação do beira-rio. 



O povo “bacia” se caracteriza pela proximidade e integração com o ambiente natural, ligado aos ciclos da terra e aos ritos, conservando traços de povos primitivos e comunidades tradicionais. A textura dos figurinos faz alusão à natureza animal do ser humano. O povo “pneu” carrega marcas das transformações civilizatórias, não no aspecto do desenvolvimento tecnológico, mas no endurecimento e na brutalidade, consequências do crescimento desenfreado das cidades. Com câmaras de pneu, material sintético, preto e facilmente reconhecível, as criaturas rasgam o lirismo do início do espetáculo e instauram o clima tenso, apesar de cômico, que se perpetua até o final da encenação. Tudo isso é mostrado por cinco atores e três músicos que atuam, cantam e tocam instrumentos ao vivo durante todo o espetáculo.


Foto: João Claudio de Sena
A obra participou das seguintes mostras e festivais: 1ª Mostra Área Viva de Teatro de Rua e Floresta, em Rio Branco, Acre; Festival de Inverno da Serra do Itapety, em Mogi das Cruzes; 5ª Mostra de Teatro de Rua de Guarulhos e 8ª Mostra de Teatro de Rua Lino Rojas, em São Paulo. A temporada tem início no dia 30/07, quarta-feira, às 16h, na Praça do Patriarca, centro de São Paulo e em agosto se estende para as cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, Carapicuíba, Atibaia, Águas de Lindóia, Socorro, Cananéia e Itanhaém. Confira o serviço completo ao final.


Foto: Aline Guarizo




Serviço:

[Des]água, com o Coletivo ALMA


- Dia 30 de julho e dias 06,13 e 20 de agosto (quartas-feiras), às16h
São Paulo, Praça do Patriarca, Centro.

- Dia 04 de agosto (segunda-feira), às 16h
Carapicuíba, Parque Gabriel Chucre

- Dia 05 de agosto (terça-feira), às 16h
Santo André, quadra da Escola Estadual João Baptista Marigo Martins, Estrada do Pedroso, 3989, 
Jardim Riviera .

- Dia 10 de agosto (domingo), às 16h
Águas de Lindóia, Praça Adhemar de Barros

- Dia 11 de agosto (segunda-feira), às 19h
Socorro, Praça Nove de Julho

- Dia 17 de agosto (domingo), às 15h
Cananéia, Praça Martim Afonso de Souza (Praça Central)

- Dia 18 de agosto (segunda-feira), às 15h
São Bernardo do Campo, Praça Santa Filomena, Centro.

- Dia 25 de agosto (segunda-feira) às 16h
Atibaia, Campo de futebol do Jardim das Cerejeiras.

- Dia 27 de agosto (quarta-feira) às 19h
Itanhaém, Praça Central

Atividades gratuitas. Em caso de chuva as apresentações em espaço aberto serão canceladas. 

Duração - 50 minutos.
Classificação etária – livre.

Ficha técnica

Criação: Coletivo ALMA
Direção geral: Edgar Castro
Co-direção (2ª temporada): Raniere Guerra
Dramaturgia: coletivo ALMA, com colaboração de Rogério Guarapiran e Thiago Nascimento 
(2ª temporada)

Elenco

Adilson Fernandes “Camarão”
Alexandre Falcão
Ana Rolf
Fabrício Zavanella
Gabriela Maurelli
Letícia Elisa Leal
Mauro Grillo
Thiago Nascimento
Thiago Winter
Direção musical: Raniere Guerra

Preparação corporal: Mauro Grillo e Thabata Ewara

Figurinos e cenografia: Samara Costa

Assessoria de imprensa: Eliana Maurelli e Jonilson Montalvão

Produção executiva: Marcello Nascimento de Jesus

Produção artística: Alexandre Falcão e Letícia Elisa Leal


Comunicação Coletivo Alma 

Jonilson Montalvão: 97038-6836 (TIM)
Eliana Maurelli:  95252-1801(Oi)

terça-feira, 8 de julho de 2014

Liberdade para criar, liberdade para ver

por Julio Canuto


Em postagem anterior, falando sobre arte, criatividade e sociedade, deixei vários trechos sobre a obra de Fayga Ostrower, e no final citei Pierre Bourdieu, em trecho sobre a escola em um dos artigos reunidos em A economia das trocas simbólicas. Porém, uma leitura são várias leituras e na sequência disso algumas experiências me fizeram pensar na liberdade para criar e na liberdade para ver, conhecer. Descrevo aqui duas experiências. A primeira foi há dois meses, em 06 de maio, no Sesc Pinheiros, em São Paulo; a segunda foi em 15 de junho, no Museu de Arte de São Paulo - MASP.


HERMETO PASCOAL (SESC PINHEIROS, 06 de maio de 2014)

Sempre que assisto a uma apresentação de Hermeto Pascoal, volto a me surpreender (mesmo que isso pareça contraditório). A sonoridade de Hermeto e seu grupo nos faz ver no palco a presença e criatividade de uma pessoa que, aparentemente, não foi inculcada com as convenções sobre música e arte. O que vale é experimentar. A música se faz ao tocar, ao cantar. Pergunte qual é o estilo de Hermeto e ele responderá a você: música universal! E música é isso mesmo. Só pode ser isso. Música é ritmo, é harmonia, é melodia, é estado de espírito. E isso pode ser compreendido por qualquer pessoa que esteja disposta a conhecer, experimentar. Abaixo as simplificações dos rótulos.  

Documentário Os sons de Hermeto.


A INUSITADA COLEÇÃO DE SYLVIO PERLSTEIN (MASP, 15 de junho de 2014)

Uma coleção com o que Sylvio Perlstein foi reunindo durante 50 anos, e que o mercado não apostava. Perlstein não seguia tendências, tinha uma visão diferente sobre arte, gostava das criações que fugiam do banal:
Eu não sei o que é arte. Eu não sei o que é ‘bom’ ou não. Eu passeio. Eu flano. Eu não quero nada em particular. Eu não sei exatamente o que eu fiz. Eu não sei exatamente como tudo começou. Há coisas que me intrigam e me perturbam. Para que algo se ative, é preciso que seja enigmático. E difícil, também. Senão não é interessante. Não é excitante (Sylvio Perlstein).
São cerca de 150 obras, divididas em seis seções: Dada/Surrealismo; Fotografia Vintage; Novo Realismo/Pop Art; American Painting; Minimal Art; Arte Conceitual/Land Art/Arte Povera.

Sim, Perlstein esteve imerso no ambiente de artistas, acompanhando alguns deles. Mas além da preciosidade das obras expostas, a exposição vale ainda mais para se pensar a arte como relação, nunca como algo pré-definido e apreendido nas escolas. Pois é isso: a liberdade de criar (condição de ser humano) é também a liberdade de ver, liberdade de conhecer. Não se trata de uma ação possível apenas a quem tem um "dom", como muitas vezes se faz pensar, mas sim uma forma de estar no mundo. O que cria é o mesmo que duvida, conhece, investiga, vê, sem pré-conceitos. É para sair do MASP não apenas admirando o que lá está, mas para sair com a provocação de testar seu olhar, observar e pensar as coisas de maneiras diferentes.

A exposição começou em 06 de junho e vai até 10 de agosto. Não perca.

domingo, 22 de junho de 2014

Musica tema da Copa: ouça aqui

por Julio Canuto


Ótima música, que diz não só sobre Copa, mas sobre todo o atual contexto político, econômico e social.

Mas espere aí. Se você está procurando aquele barulho de mau gosto interpretado por três bonecos fabricados pela indústria cultural, não é aqui que irá encontrar. Trata-se de outra música, que por acaso me veio à mente em meio a festa, protestos, manifestações, yelow blocs e tudo mais que agitam o mês junino nas terras tupiniquins.

Ah, não devemos nos esquecer que 2014 é também ano de eleições: deputado estadual, deputado federal, governador, senador e presidente. Ufa! E...por acaso (!?)...o ano em que "todos" estão indignados a ponto de xingar a presidenta em plena abertura de Copa do Mundo, apesar de desembolsarem milhares de reais para participarem da festa (mas isso é só detalhe), mostrando toda a educação e elegância do "povo-nobre". 

Tem de tudo: lutas justas, oportunismo, barrigas vazias, barrigas cheias e empanturradas... 

Época de desavenças, que começa quando alguém pensa que ninguém mais tem razão.
Época de descrença, que com a desconfiança e a doença são partes da maldição.
Época de ignorância, que com a sordidez e a ganância são lavas desse vulcão.
Mas ainda bem que aprendi da importância de não dar muita importância e ficar com os meus pés no chão. E por isso essa fumaça a minha janela embaça por fora, por dentro, não.
Aprendi tetra, penta e hexa depressa que a taça do mundo é nossa e que São Paulo é meu sertão.

Ouça a música Aprendiz de feiticeiro, do genial Itamar Assumpção, com a Banda Isca de Polícia.


Aprendiz de feiticeiro
Aprendiz de feiticeiro
Aprendiz de feiticeiro
Aprendiz de feiticeiro
Aprendi quando criança que além de tudo
Balança
Esse nosso mundo cão
Aprendi que quem não dança, já dançou na sua infância
Senão rock foi baião
Aprendi da importância de não dar muita importância
Ficar com os meus pés no chão
Aprendi que viver cansa, mesmo vivendo na França
Mesmo indo de avião
Aprendi que a desavença é por que sempre
Alguém pensa
Que ninguém mais tem razão
Aprendiz de feiticeiro
Aprendiz de feiticeiro
Aprendi que tudo passa, tomando chá ou cachaça
Tomando champanhe ou não
Aprendi que a descrença, a desconfiança e a doença
São partes da maldição
Aprendi que a ignorância, a sordidez e a ganância
São lavas desse vulcão
Aprendi que essa fumaça a minha janela embaça
Por fora, por dentro, não
Aprendi tetra depressa que a taça do mundo é nossa
E que São Paulo é meu sertão
Aprendiz de feiticeiro


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Criatividade: potencial da condição de ser humano (Fayga Ostrower)

por Julio Canuto


6621. 1966. Xilogravura a cores 
sobre papel de arroz. 47,5 x 29,5 cm.


Retomando, agora de maneira mais específica, o assunto da postagem de 04 de fevereiro de 2014, Um rolê pelas ideias, na qual falava sobre as alternativas de entretenimento e cultura na periferia, das dificuldades da atuação dos grupos de arte nestes locais e da lógica do rentismo especulativo, passo a apresentar um interessante trabalho teórico da artista plástica Fayga Ostrower (1920-2001) - com algumas de suas obras ilustrando a postagem).


Nascida em Lodz, na Polônia, Fayga mudou-se para o Brasil em 1934, com residência no Rio de Janeiro. Cursou Artes Gráficas na FGV. Como artista plástica, foi gravadora, pintora, desenhista, ilustradora. Também foi teórica da arte e professora no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, além de outras universidades brasileiras, lecionando também nos EUA e Inglaterra.


Em obra de 1977 intitulada "Criatividade e processos de criação"(28a edição, Ed.Vozes, RJ, 2013, 186 págs.), Fayga trata o problema da criatividade não como reflexão teórica, o que já seria uma obra interessante, mas como ponto central de nossa experiência vital. Não tenho a pretensão de explicar a obra, nem mesmo irei me alongar relacionando o conteúdo com outras questões. Faço apenas algumas observações e deixo alguns trechos, todos do primeiro capítulo, apenas como estímulo à leitura.

A criatividade - a liberdade de criar - é o potencial da condição de ser humano. Como processos de criação trata das condições individuais e sociais para que a criatividade floresça, com análise histórica das condições sociais nas quais importantes transformações culturais ocorreram. Por isso, Fayga inicia a introdução da seguinte forma:
O tema deste livro é a criatividade. O enfoque, o ser humano criativo.Consideramos a criatividade um potencial inerente ao homem, e a realização desse potencial uma de suas necessidades (p.5).
Em uma sociedade massificada, totalizante, a condição de ser humano é sufocada.

5823. 1958. Xilogravura em preto sobre papel de arroz. 29,7 x 84,5 cm
Site do Instituto Fayga Ostrower

Fayga trata do homem como ser consciente-sensível-cultural. A consciência e a sensibilidade são heranças biológicas, enquanto a cultura é fruto do desenvolvimento social do homem. "O comportamento de cada ser humano se molda pelos padrões culturais, históricos, do grupo em que ele, indivíduo, nasce e cresce" (p.11). Isto é, vinculado a padrões coletivos, mas com desenvolvimento individual. Ao viver, o homem transforma a natureza e também se transforma. Ao mesmo tempo que percebe as transformações, também se percebe nelas. Daí também a importância da memória como forma de compreensão da sua formação.


Sem Título. 1947. Linóleo em preto 
sobre papel de arroz 31,5 x 22,1 cm.


A percepção é a forma consciente da sensibilidade. Isto é, elaboração mental das sensações em formas organizadas (ordenadas).

Mais um trecho para elucidar a definição acima:
Criar é, basicamente, formar. É poder dar uma forma a algo novo. Em qualquer que seja o campo da atividade, trata-se, nesse "novo", de novas coerências que se estabelecem para a mente humana, fenômenos relacionados de modo novo e compreendidos em termos novos. O ato criador abrange, portanto, a capacidade de compreender; e esta, por sua vez, a de relacionar, ordenar, configurar, significar (p.9).
Para criar, é necessário que o indivíduo tenha sua sensibilidade estimulada, e para isso sua atividade deve lhe ser significativa. Tudo isso pode parecer óbvio. No entanto, se olharmos para nossa história política e econômica, veremos que os valores do mundo cotidiano são os da produtividade, do foco no resultado, da fragmentação do trabalho, donde a ruim sensação da diminuição do tempo "útil". Mas como, se hoje temos tanta tecnologia ao nosso alcance, tanta informação de maneira rápida? Aparentemente contraditória, essa sensação refere-se à produtividade exaustiva, em prejuízo da contemplação. Daí a alienação, o que implica diretamente no bloqueio da sensibilidade.

Em nota de rodapé ela deixa uma tarefa para sociólogos:
...para se realizarem as potencialidades individuais dentro do quadro de possíveis propostas culturais, será sempre também uma questão de níveis de integração que existam em uma sociedade e se proponham aos indivíduos. Todavia, este é o problema da alienação e seria objeto de estudos sociológicos da criatividade, com específicos conhecimentos teóricos e específica metodologia. Levantada a questão, fica a tarefa de analisá-la e interpretá-la para um especialista da matéria (p.17-18).
Apenas para dar um exemplo da gravidade do tema: esses bloqueios aparecem no sistema de ensino, responsável pela integração cultural (1) em nossa sociedade, quando estimula a competitividade, avaliando a memorização de dados, ao invés de valorizar as dúvidas. É notório que os documentos internacionais e as diretrizes educacionais nacionais apontam para um caminho de aprendizagem que estimule a criatividade, mas até mesmo as formas de avaliação de escolas e docentes acabam se contaminando pelo valor da produtividade. A escola, portanto, se vê pressionada entre os valores sociais atuais e os esforços para proporcionar o desenvolvimento do potencial criativo do indivíduo. O mesmo se dá com o pouco estímulo a iniciativas artísticas fora das características de espetáculo, como falamos na postagem citada no início deste texto.

A obra de Fayga vai muito além da abordagem inicial apresentada nesta postagem.

Para finalizar, deixo os títulos dos capítulos:

I. Potencial
II. Materialidade e imaginação criativa
III. Caminhos intuitivos e inspiração
IV. Relacionamentos: forma e configuração
V. Valores e contextos culturais
VI. Crescimento e maturidade
VII. Espontaneidade, liberdade



____________________

Conheça o site do Instituto Fayga Ostrower: http://www.faygaostrower.org.br/

Leia o primeiro capítulo de Criatividade e processos de criação, 28a edição, Ed.Vozes, RJ, 2013, 186 págs. clicando AQUI.

(1) BOURDIEU, Pierre. A Economia das trocas simbólicas. 7ª edição – São Paulo: Perspectiva, 2011.

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Tempo livre. Você tem?, janeiro de 2014.