quarta-feira, 29 de julho de 2015

A Esquerda Revelada


Na postagem anterior, comentamos o livro "O Homem que Amava os Cachorros", do jornalista cubano Leonardo Padura, lançado em 2009, onde o autor narra os dias de exílio e o assassinato de Liev Dadidovitch, o Trótsky.

A URSS e o regime soviético, também são temas tratados por Jacob Gorender, um dos mais importantes historiadores e cientistas sociais marxistas brasileiros, na entrevista que disponibilizamos abaixo;

Jacob Gorender - A Esquerda Revelada




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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Utopias, crenças, medos e fatos. Sobre "o homem que amava os cachorros", de Leonardo Padura

por Julio Canuto


Há alguns meses li "O homem que amava os cachorros", do jornalista cubano Leonardo Padura. Lançado em 2009, o livro narra os dias de exílio de Liev Dadidovitch, o Trótsky, desde a Sibéria até o México, onde foi assassinado, e a trajetória do catalão Ramón Mercader, ativo na guerra civil espanhola, a quem foi atribuída a missão de assassinar o líder bolchevique e por isso passando a assumir varias identidades, entre as quais um belga chamado Jacques Monard, a que usava no dia do assassinato. Intermediando as trajetórias, o encontro de um escritor cubano, Iván Cardenas, com um personagem misterioso em Cuba, Jaime López - o homem que amava os cachorros -, o Mercader mais velho nos dias finais de sua vida. Com isso, narra a condução do regime comunista na União Soviética por Stálin, chamado por Trótsky de "o coveiro da revolução", desde o ápice de seu poder e o consequente declínio da utopia socialista, com as condenações de ex aliados do regime, acusados de traição, e toda a trama para aniquilar o líder bolchevique, organizador e ex comandante do Exército Vermelho

Destaco a seguir quatro trechos do livro que em minha opinião resumem muito bem as crenças, as esperanças, as ações e as angústias dos que tiveram uma participação ativa, embora nem sempre conscientes da história, bem como os de quem, após o fim da URSS, volta o olhar em retrospectiva. Fala sobre sonhos, revoluções, fé, medo, luta pelo poder e o seu peso sobre os homens.

O primeiro trecho é sobre Trótski, enquanto na URSS vários ex companheiros da revolução eram condenados sob acusação de traição.Ou seja, era a visão de um perseguido:
     Convencido de que se aproximavam tempos ainda mais turbulentos, Liev Davidovitch encarregou seu secretário Erwin Wolf de fazer chegar a Liova a ultima versão de A revolução traída. Embora tivesse dado o livro por encerrado no início do verão, os acontecimentos de Moscou levaram-no a atrasar seu envio aos editores, porque esperava poder acrescentar uma reflexão sobre o julgamento contra Zinoviev, Kamenev e seus companheiros de destino. No entanto, diante da incerteza do que poderia acontecer à sua vida, decidira acrescentar apenas um pequeno prefácio. O livro seria uma espécie de manifesto onde Liev Davidovitch adequava seu pensamento à necessidade de uma revolução política na União Soviética, de uma mudança social enérgica que permitisse aniquilar o sistema imposto pelo stalinismo. Não deixava de reparar na estranha ironia de uma proposta política nunca antes concebida nem pelas mais febris mentes marxistas, para as quais teria sido impossível imaginar que, atingido o sonho socialista, fosse necessário chamar o proletariado a revoltar-se contra o seu próprio Estado. A grande lição proposta pelo livro era que, da mesma forma que a burguesia criara diversas formas de governo, o Estado operário parecia criar as suas e o stalinismo revelava-se como a forma reacionária e ditatorial do modelo socialista. Com a esperança de que fosse possível salvar ainda a revolução, ele tentara desligar o marxismo da deformação stalinista, que qualificava como o governo de uma minoria burocrática que, através da força, da coação, do medo e da supressão de qualquer vislumbre de democracia, protegia seus interesses contra o descontentamento majoritário no interior do país e contra os surtos revolucionários da luta de classes no mundo. E terminava interrogando: se já tinham sido pervertidos até as entranhas o sonho social e a utopia econômica que o sustentava, o que restaria da experiência mais generosa jamais sonhada pelo homem? E respondia: nada. Ou restaria, para o futuro, a marca de um egoísmo que tinha usado e enganado a classe trabalhadora mundial; permaneceria a lembrança da ditadura mais férrea e desprezível que o delírio humano poderia conceber. A União Soviética legaria ao futuro o seu fracasso e o medo de muitas gerações à procura de um sonho de igualdade que, na vida real, se transformara no pesadelo da maioria (p.213).
O segundo trecho é parte do diálogo de Ramón Mercader com seu mentor, já em Moscou após ter cumprido sua pena. Soubera que seu mentor também iria a julgamento como outros tantos já haviam ido injustamente, e que fatalmente seria condenado a morte, mas por ocasião das circunstâncias políticas acabou se livrando. Após traçar um perfil de Stalin através de seus atos com os camaradas mais próximos, ele conclui:
Nessa altura compreendi que a crueldade de Stalin não obedecia apenas à necessidade política ou ao desejo de poder: devia-se também ao seu ódio pelos homens, pior que isso, ao seu ódio pela memória dos homens que o ajudaram a criar suas mentiras, a foder e a reescrever a história. Mas, na verdade, não sei quem estava mais doente, se Stalin ou a sociedade que o deixou crescer...Suka!
-  Era o mesmo Stalin que você adorava e me ensinou a adorar? - Sempre que  entrava naqueles terrenos pantanosos, Ramón sentia-se desorientado, como se lhe falassem de uma história alheia à sua, de uma realidade diferente da que ele próprio tinha construído em sua cabeça. (p.531-532).
Ainda nesta longa conversa, Ramón comenta sobre o conteúdo de uma carta que recebeu na prisão, em 1948, remetida por "um judeu que vivia em Nova York", e que na verdade, ambos reconheceram, era Alexander Orlov.
- Estava assinada por um tal de Josué não sei quê, e dizia que ia me contar coisas que lhe tinham sido confiadas por um velho agente da contraespionagem soviética, seu amigo próximo, coisas que achava que eu devia saber... Na verdade não dizia nada que eu já não tivesse pensado, mas, dito por ele, tudo aquilo adquiria outra dimensão, o que me obrigou a refletir... Falava do engano, dos enganos, na verdade. Dizia que Stalin nunca desejara que os republicanos espanhóis ganhassem a guerra e que seu amigo fora enviado para a Espanha justamente a fim de evitar, primeiro, uma revolução e, evidentemente, uma vitória republicana. A guerra deveria durar apenas o suficiente para que Stalin pudesse utilizar a Espanha como moeda de troca em seus pactos com Hitler e, quando esse momento chegou, abandonou-nos à própria sorte, embora tenha levado a fama de ter ajudado os republicanos e, como prêmio adicional, ficando também com o ouro espanhol. Falava-me ainda do assassinato de Andreu Nin. Seu amigo tinha participado daquela encenação, e dizia-me que todas as hipotéticas provas contra Nin, tal como as que havia contra Tukhatchevski e os marechais, tinham sido preparadas em Moscou e em Berlim, como parte da colaboração facista. (...) - E falava-me de Trotski... - Ramón emudeceu, acendeu um cigarro, esfregou o nariz. - Contava uma coisa que você sabia muito bem: que o velho nunca tinha feito acordos com os alemães. A prova de fogo foram os julgamentos de Nuremberg, onde não apareceu um único vestígio da suposta colaboração fascista de Trótski... Dizia que eu tinha sido um instrumento do ódio e que, caso não acreditasse nele, esperava que eu vivesse tempo suficiente para ver como aquela tramoia acabaria vindo à luz do dia... Quando li o discurso de Kruschev, em 1956, lembrei-me muito dessa carta. O mais difícil em todos esses anos foi saber dessas verdades e ter a certeza de que, apesar dos enganos, não podia falar.- Sabe por quê? Porque no fundo somos uns cínicos, tal como Orlov. E porque somos, sobretudo, uns covardes. Sempre tivemos medo, e o que nos moveu não foi a fé, como dizíamos a nós mesmos todos os dias, mas o medo. Por medo muitos calaram a boca, pois não tinham remédio, mas nós, Ramón, fomos mais além, esmagamos pessoas, chegamos a matar... porque acreditávamos, mas também por medo - disse e, para espanto de Ramón, sorriu. - Ambos sabemos que, para nós, não há perdão... Mas, por sorte, como já não acreditamos em nada, podemos beber vodka e até comer caviar neste inferno materialista dialético em que nos calhou viver por nossas ações e pensamentos... (p.536-537)
Por fim, uma reflexão de Ivan Cárdenas, quando em 1983 recebeu os manuscritos de López:
Enquanto lia, senti que o horror me inundava. Segundo o homem que amava os cachorros, depois daquele encontro casual, Ramón fora lhe contando os pormenores que eu já conhecia acerca de sua entrada no mundo das trevas, sua transformação espiritual e mesmo física e suas ações sob a pele de Jacques Monard e Frank Jacson. Mas também lhe confiara tudo o que, com os anos, tinha conseguido saber sobre si próprio e sobre as maquinações e os objetivos mais sinistros dos homens que o levaram até Coyoacán e lhe colocaram uma picareta nas mãos. Se antes eu tinha pensado que López excedia com frequência os limites da credibilidade, o que contava naquela longa missiva superava o  concebível, apesar de tudo o que, desde o nosso último encontro, eu pudera ler acerca do mundo obscuro mas tão bem encoberto do stalinismo. Como é fácil deduzir, aquela história (recebida anos antes das revelações da glasnost) foi como uma explosão de luz, capaz de me iluminar não só sobre o destino tétrico de Mercader, mas sobre o de milhões de homens. Aquela era a própria crônica do aviltamento de um sonho e o testemunho de um dos crimes mais abjetos já cometidos, porque não atingia apenas o destino de Trótski, ao fim e ao cabo antagonista naquela luta pelo poder e protagonista de vários horrores históricos, mas o de muitos milhões de pessoas arrastadas - sem que o tivessem pedido, muitas vezes sem que ninguém jamais tivesse lhes perguntado seus desejos - pela ressaca da história e pela fúria de seus patrões - disfarçados de benfeitores, de Messias, de eleitos, de filhos da necessidade histórica e da dialética inelutável da luta de classes... (p.336-337).
Enfim, esses trechos constituem peças de destaque que o leitor irá relacionar e descobrir os detalhes. É, sem dúvida, um dos mais impressionantes romances que li, com várias revelações sobre as trajetórias de cada um dos personagens desse pedaço da história do século XX. A habilidade de Padura em reconstruir a história a partir do ponto de vista dos três principais personagens, sendo Ivan o representante do povo vivendo sob aquele regime, fazem as 585 páginas passarem de maneira muito breve e intensa. 

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autor: Leonardo Padura
prefácio: Gilberto Maringoni
orelha: Frei Betto
páginas: 592

sábado, 6 de junho de 2015

Em constante movimento

por Julio Canuto


O vídeo abaixo mostra as constantes mudanças das fronteiras nacionais na Europa (e parte da Ásia, Oriente Médio e Norte da África,) do ano 1100 a 2012. Interessante verificar a existência dos impérios no passado, como foram se expandindo e depois extintos, como o Império Bizantino, o Sacro Império Romano-Germânico e o Império Otomano, ou mais recentemente a União das Repúblicas Socialistas Soviética. Interessante se pensarmos que apesar do tempo - pouco mais de 900 anos de história em 3 minutos e 23 segundos - há em toda essa região uma teia complexa de culturas, religiões e , por consequências, valores. Reflete os conflitos entre Nações e Estados.

O vídeo serve, antes de tudo, para atiçar a curiosidade de quem o assiste. Espero que se interessem a ponto de pesquisar mais a fundo a história dessa região, da qual indiretamente também fazemos parte, e que pode lançar luzes sobre conflitos atuais.


video

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Não, não é isso, mas é isso também.

por Julio Canuto

O objetivo deste blog é trazer olhares alternativos. Não cabe aqui defender uma verdade, mas apenas provocar a reflexão. A verdade, se existe, é inalcançável. O que há são ângulos, pontos de vistas, verdades particulares e algumas mentiras ou equívocos. Por isso o título confuso dado a essa postagem.

O vídeo a seguir cai como uma luva para o objetivo do blog. Trata-se de uma entrevista com Jorge Caldeira, cientista político, que nos mostra um outro ponto de vista da história do Brasil. Para ele, o Brasil foi feito de baixo pra cima, do povo para a elite, e não o contrário. Essa afirmação contraria vários pensadores brasileiros que servem de base para a nossa formação sociológica. O brasileiro da periferia domina mais os valores do Brasil que os acadêmicos. O tal "brasileiro médio" é o que sabe viver o Brasil, e para isso não é necessário teorizar e, desconfio, seja uma tarefa quase impossível. 

A provocação, no entanto, não é feita por um "brasileiro médio", mas por um acadêmico, e certamente se você tem algum interesse pelo tema da formação do Brasil, irá se interessar em assistir essa entrevista disponível no canal de Jorge Mautner, no youtube, na série ONCOTO. 

Uma longa e interessantíssima conversa.

domingo, 12 de abril de 2015

Manifestando o que?


OLHA O (BAIXO) NÍVEL!!!

Imagem encontrada em Blog da Cortesã

Diga-me com quem manifestas e.....
Em São Paulo, manifestantes formaram fila para tirar uma foto com militar reformado Carlos Alberto Augusto, mais conhecido como “Vovô Metralha”. Portal Forum
Sabe quem é Carlos Alberto Augusto? Conheça-o em Memórias da Ditadura.

Manifestantes tiram selfies com o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) perto do metrô Brigadeiro, em São Paulo.
Imagem Folha de S.Paulo.

Para saber mais leia a matéria de Cláudia Antunes na Revista Piauí, intitulada Tea Party à brasileira.

E assista ao vídeo da TV Folha: "Em ato contra governo, manifestantes explicam por que foram às ruas".



Enfim, nem uma palavra contra a PL 4.330/04. Também não se falou contra o financiamento de campanhas, mas apenas um genérico "pela reforma política". Apenas camisas da CBF gritando contra a corrupção. Acho que não é preciso dizer mais nada.
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Sobre o atual momento político: Haja política! Haja estômago!



sexta-feira, 10 de abril de 2015

RETROCESSO! - O PL 4.330/2004

por Julio Canuto

Coisas estranhas acontecem no Brasil atualmente.

É possível um povo, através do direito democrático de manifestação optar pelo fim da democracia? Pois já ouvimos alguns pedindo intervenção militar nas recentes manifestações. É possível trabalhadores optar pela precarização do seu trabalho? Pois há "representantes dos trabalhadores" que defendem esse absurdo (acesse link ao final do parágrafo).  Sem a voz das ruas gritando contra, a Câmara do Deputados aprovou na noite de quarta feira o Projeto de Lei 4.330/04, texto original do deputado Sandro Mabel (PMDB-GO) e substitutivo (PL 4.330-A/2013) do deputado Arthur Oliveira Maia (PMDB-BA), que permite que as empresas terceirizem todos os seus setores, inclusive as atividades fim. 


Como em outras épocas, a contratação de recursos humanos acaba por ser definida pelo menor preço. Isso permite que outras manobras sejam feitas para que os custos diminuam ainda mais. A especialização de mão de obra fica em ultimo plano... Ou pior, é prejudicada!

Há vários motivos para perceber que o PL 4330/04 é só um artifício para diminuir os custos das empresas, em nada contribuindo para a melhoria dos serviços e muito menos para o trabalhador. 

Trabalhei durante quase oito anos em uma instituição financeira federal nesse sistema. Por onde passei, independente da atividade a ser executada, e quase todas ligadas ao setor contábil ou até mesmo puramente contábeis, todos eram registrados como digitadores. Não éramos bancários, apesar de executar um serviço contábil, conversar diretamente com gerentes e supervisores de agências e daí por diante. 

Naqueles quase oito anos foram entre quatro ou cinco empresas que passaram pela instituição, cada vez apresentando uma situação ainda pior ao trabalhador. Se de início havia uma prestadora que fornecia assistência médica, vale refeição e transporte, a próxima retirava a assistência médica, até chegar ao cúmulo de se contratar uma cooperativa, pois o trabalhador ficava responsável por fazer seus recolhimentos previdenciários (e que praticamente não permitia a participação dos trabalhadores da maneira como prega o cooperativismo, contratando e demitindo como uma empresa comum faz). Inevitavelmente as consequências foram inúmeros processos trabalhistas, com prestadoras de serviço que decretaram falência, deixando seus funcionários a ver navios. 

Mas se o trabalhador é a ponta mais fraca, o que sofre toda a pressão por metas e recebe bem menos do que deveria se estivesse devidamente formalizado na função a que realmente exerce, o consumidor também sentirá os efeitos disso. Voltando ao exemplo da instituição financeira: por serem contratados digitadores, obviamente a exigência de qualificação dos funcionários não era a adequada para exercer a rotina contábil, o que resulta em um serviço também precário. Portanto, o argumento da especialização é pura enganação. 

Ademais, a redução salarial também acaba por impactar negativamente a arrecadação, base dos programas sociais. Assim, pretende-se estimular a economia diminuindo os custos trabalhistas, mas às custas do trabalhador, que no final das contas é quem realmente movimenta a economia com o trabalho e o consumo. 

Para finalizar o exemplo citado, no ano de 2005 funcionários concursados passaram a ocupar seus cargos na instituição financeira. Vi aquilo com bons olhos (estava naquela época procurando mudar de área, pois estava na faculdade), mas muitos colegas se desesperavam a espera da demissão. No entanto, tratava-se de uma correção: os trabalhadores que estavam chegando seriam enfim respeitados como integrantes da categoria, recebendo o salário correspondente a suas funções e, naquele caso, com a estabilidade do funcionalismo público. 

Enfim, a aprovação do PL 4.4430/04 pela Câmara representa um imenso retrocesso e até mesmo um desrespeito a nossa Constituição. Aprovado, o texto agora segue para o Senado. Corremos o risco de voltar a ver acontecer a precarização em masa. Será que nas novas manifestações programadas para este final de semana as vozes se levantarão contra o PL4.330/04? Veremos.



SAIBA MAIS (clique no título):

Terceirização: entenda o polêmico projeto de lei 4.330. Artigo de Márcio Juliboni na ISTO É, Dinheiro. 07/04/2015.

Riscos da terceirização exacerbada. Artigo de Fábio Ribeiro da Rocha, Juiz do Trabalho Substituto do TRT-2, publicado por Frederico Vasconcelos na Folha de São Paulo, 09/04/2015.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Diga não às doações empresariais na política! (Campanha Avaaz)

As doações empresariais para políticos estão destruindo a nossa democracia, mas o Ministro Gilmar Mendes pode impedir este desastre! Ele se recusou a agir por 1 ano, por isso a Avaaz está organizando um ato de aniversário na frente do Supremo Tribunal Federal para mostrar que chegou a hora -- assine a petição agora e repasse para todos: 


Caros amigos,



É simples -- 95% de todas as doações para as campanhas eleitorais vieram de empresas privadas. Uma ação no STF quer acabar com esses repasses milionários para candidatos e seus partidos políticos, mas o processo emperrou nas mãos de um único ministro: Gilmar Mendes. Mas até agora ninguém conseguiu convencê-lo -- assine e compartilhe:

assine a peticao
Neste momento corre uma ação no STF que pode proibir empresas de doarem milhões para candidatos e partidos políticos. Especialistas dizem que esse é o "gene da corrupção” e, para combatê-lo, precisaremos de todos. 

95% de todas as doações para campanhas eleitorais foram feitas por grandes empresas -- inclusive as envolvidas no escândalo Lava-jato. É assim que as empresas investem para então ganhar em troca acesso ao poder e influência, mas isso está prestes a mudar. 

A maioria dos ministros do STF já votou pelo fim dessas doações, mas o processo emperrou nas mãos de um único ministro: Gilmar Mendes. 

Ninguém conseguiu convencê-lo ainda. Ele sabe que não pode segurar a decisão para sempre, mas sem pressão ele vai levando -- já levou por 1 ano!! Vamos mostrar ao ministro Gilmar que centenas de milhares de brasileiros se uniram contra o gene da corrupção. Assine para conseguirmos a maior mudança da política brasileira nos últimos anos --depois repasse para todos:

https://secure.avaaz.org/po/devolve_gilmar/?bjuBFab&v=56503

Se essa ação judicial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no STF for aprovada, nossa Constituição passará a dizer que só cidadãos podem escolher os representantes políticos. Hoje, os principais doadores acabam influenciando as eleições e são recompensados com a lealdade e contratos públicos generosos após seus candidatos serem eleitos. Pesquisas mostram que a cada R$1 doado por uma empresa a um candidato, R$8,50 retornam por meio de contratos públicos -- um lucro exorbitante das empresas às custas de nosso voto

Os que se opõem à mudança dizem que se proibirmos doações de empresas, aumentará o fluxo de dinheiro pelo caixa dois, o que tornará investigações mais difíceis. Mas o caixa dois já existe hoje e pouco se fez para impedir que aconteça! Se empresas não puderem contribuir com candidatos, será mais simples detectar campanhas com muito dinheiro e o caixa dois deve secar. 

A lei permite que ministros peçam vista de um processo por apenas 20 dias, mas uma manobra burocrática vem segurando o julgamento já há mais de 1 ano!! Há indícios de que ele está esperando deputados que, assim como ele, são favoráveis ao dinheiro de pessoas jurídicas e preferem legalizar as doações de empresas mudando a Constituição de uma vez. 

Mas o que Gilmar precisa saber é que o Brasil não pode mais esperar! Junte-se a essa ação urgente agora -- vamos engrossar o apelo da OAB com nossas vozes e abraçar essa chance de salvar o país da corrupção:

https://secure.avaaz.org/po/devolve_gilmar/?bjuBFab&v=56503

A relação entre o dinheiro e a política é um mal neste país. Mas cada vez mais, a voz do povo tem transformado os canais de poder e forçado por mudança. Foi assim quando ajudamos a aprovar a Ficha Limpa, com a PEC contra o voto secreto e muitas outras vitórias. Vamos nos unir mais uma vez e vencer mais uma batalha pela nossa democracia. 

Com esperança e determinação, 

Joseph, Michael, Diego, Carol, Maria Paz, Luis e toda a equipe da Avaaz 

Mais informações: 

Ação que proíbe doação eleitoral de empresas completa 10 meses parada no Supremo (Estadão)
http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,acao-que-proibe-doacao-eleitoral-de-empresas-completa-10-meses-parada-no-supremo,1619273 

Financiamento de campanha dificulta reforma política, dizem especialista (O Globo)
http://oglobo.globo.com/brasil/financiamento-de-campanha-dificulta-reforma-politica-dizem-especialistas-14404612 

Financiamento de campanha motivou desvios na Petrobras, avalia Toffoli (G1)
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/11/financiamento-de-campanha-motivou-desvios-na-petrobras-avalia-toffoli.html 

Empresas fazem doações para até oito partidos na mesma eleição (Rede Brasil Atual)
http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2014/01/empresas-que-mais-financiam-campanhas-optam-por-doacoes-para-tres-partidos-8005.html 

Maioria do STF vota pelo fim das doações de empresas para campanhas (Folha de São Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/04/1434761-maioria-do-stf-vota-pelo-fim-das-doacoes-de-empresas-para-campanhas.shtml 



A Avaaz é uma rede de campanhas global de 41 milhões de pessoas que se mobiliza para garantir que os valores e visões da sociedade civil global influenciem questões políticas nacionais e internacionais. ("Avaaz" significa "voz" e "canção" em várias línguas). Membros da Avaaz vivem em todos os países do planeta e a nossa equipe está espalhada em 18 países de 6 continentes, operando em 17 línguas. Saiba mais sobre as nossas campanhas aqui, nos siga no Facebook ou Twitter.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Curta Sexta Curta 31 - O emprego

por Julio Canuto

Depois de seis meses, voltamos com o Curta Sexta Curta. Em sua 31a. edição, você assistirá O Emprego, um curta metragem de animação de 2008.

Assista e reflita.

Direção: Santiago 'Bou' Grasso
Ideia:Patricio Plaza
Animação: Santiago Grasso / Patricio Plaza
Produção: Opusbou



O EMPREGO


segunda-feira, 30 de março de 2015

Haja política! Haja estômago!

por Julio Canuto



Não localizada a autoria.
 Passados quinze dias "da maior manifestação desde as Diretas Já", as mudanças e reações do governo a crise econômica parecem caminhar de maneira lenta e muito disso se deve ao cenário político nas relações entre executivo e legislativo, nem um pouco favoráveis ao governo, tampouco para a população, que vive ao gosto dos arranjos e desarranjos da situação, oposição e do PMDB, esta terceira e grande força que joga - sim, esta é a palavra certa - com o poder.

O quadro é de confusão. Brevemente tentarei expor meu ponto de vista:

MANIFESTAÇÕES

De um lado uma manifestação grande, que demonstra muito descontentamento, direcionada contra o PT, mas que talvez até por isso, para não se caracterizar como partidária, acaba por não trazer elementos concretos. Apesar da adesão, não creio na força desse movimento (que são três diferentes!). Em primeiro lugar porque manifestar contra a corrupção ou contra o governo é muito vago. Assim como em 2013, quando outras pessoas aderiram as manifestações, o ato pode se perder por falta de foco. Naquela ocasião, o Movimento Passe Livre fez um ótimo papel ao fazer sua reivindicação focada e se retirando no momento oportuno, deixando claro o seu posicionamento e as suas lutas. Tanto é que deu resultado. Os demais que ficaram se manifestando por "mais saúde, mais educação, mais segurança", tiveram como resultado apenas discursos. Em segundo lugar porque manifestar-se contra a corrupção vestindo uma camisa da CBF é extremamente incoerente e põe em dúvida o sentido de toda mobilização. Talvez, estes estejam mais próximos daqueles que causaram um enorme vexame xingando a presidente na abertura da Copa do Mundo, ocasião que por conta o jogo, estavam com a camisa da seleção, e que ficaram conhecidos como yellow bloc.

PMDB

De outro lado, temos a centralidade do PMDB em todo esse processo. O PMDB se tornou o maior partido brasileiro: tem a Vice Presidência da República, conta com grande bancada na Câmara dos Deputados (elegeu 65 deputados em 2014, dos 513), 18 dos 81 senadores, muitos governadores e mais de 1.000 prefeitos. Ainda assim, e apesar de sua rica história na reconquista da democracia brasileira, quando ainda era denominado MDB, não mostra claramente um projeto de nação, sobressaindo muito mais as divergências entre seus líderes, alguns dos quais apoiam o governo e outros claramente de oposição. A imagem que fica para a população, infelizmente, é a de um partido que vive na conveniência de ser imprescindível para a governabilidade apenas na quantidade de representantes, não como norteador de políticas. Pior, parece estar acomodado nessa situação, variando nas motivações para isso a depender do analista.

GOVERNO

Por fim, o governo tem se isolado. Perdeu boa parte de sua base de apoio (leia a matéria: "de cada 10 aliados, 3 votam contra Dilma"), tem baixo apoio popular e até mesmo o partido da presidência mostra muito descontentamento com as decisões. A presidente, aliás, foi muito criticada com a nomeação de seu ministério, inclusive por seus próprios eleitores. Nomes como Kátia Abreu, Gilberto Kassab e Cid Gomes não foram bem vistos. O pior é que até mesmo dentro do governo há criticas contra a presidente, como as reiteradas falas de Joaquim Levy, ministro da Fazenda, nomeado para "agradar o mercado".  

CONGRESSO NACIONAL

Junta-se a isso a aparente paralisação das atividades por conta das investigações e revelações da operação Lava Jato, sobre os crimes de corrupção na Petrobrás, o que impacta negativamente tanto a imagem do país no mercado internacional, como a economia interna, com reflexos no desemprego. Com este cenário arrastam-se as ações e medidas para enfrentar o período. A Câmara, ao invés de atuar para a melhoria dos rumos do país, parece mais interessada em montar um palanque criando uma CPI que não serve para absolutamente nada, uma vez que as investigações já ocorrem desde o ano passado. Voltando as ações, muitas são impopulares pois afetam diretamente os trabalhadores. Óbvio que muitas coisas na legislação trabalhista, mais cedo ou mais tarde, teriam de mudar, pois o mercado de trabalho tem mudado, e mesmo a estrutura etária da população tem mudado. O problema é que não se falou sobre isso ate então, e mesmo agora essas mudanças se apresentam apenas como medidas para cobrir o rombo fiscal, e não para reorganizar a estrutura dos direitos trabalhistas, tornando-o mais adequado a realidade. Ou seja, um claro sinal de que quem pagará as contas pelos erros do governo são os trabalhadores. 

Uma outra alternativa para cobrir o rombo fiscal é a taxação das fortunas, da qual Joaquim Levy é contra, mas parece estar caminhando nesta direção. O problema, neste caso, é enfrentar as possíveis resistências, já que neste grupo dos mais ricos estão as famílias, Marinho, Civita, banqueiros, donos de construtoras e também o Grupo JBS, a maior doadora da candidatos. Isto é, mídia, bancos, construtoras e o maior doador. Seria uma boa briga. 

Sobre isso, vale a pena navegar pela página "Eles elegem", do Estadão Dados, para ver quanto cada deputado recebeu de doação e de quais empresas: http://estadaodados.com/eles_elegem/# A JBS doou para todos!

Haja política! Haja estômago!

Fernando Vieira. Confusão.
Enfim, há os que comparam o atual momento com o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, que teve um primeiro ano bem difícil, mas depois foi se recuperando, embora tenha encerrado seu mandato com alto índice de desaprovação, resultando na derrota nas urnas em 2002.

Penso que realmente estamos em um momento delicado e muito dessa situação foi causada por sustentar uma economia baseada no consumo, quando ainda cerca de 40% da nossa força de trabalho não completou o Ensino Fundamental. Este é, na minha opinião, o maior problema a ser enfrentado e que não é novo, e que apesar do lema do atual governo - Pátria Educadora - não me parece se concretizar grandes esforços nesse sentido. Infelizmente.



terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O horror, a humanidade

por Julio Canuto

Execução pelo Estado Islâmico, Inquisição pela Igreja Católica, o microondas nas favelas cariocas: a morte pelo fogo. Decapitações pelo EI, por presidiários no Maranhão, ou nas guilhotinas europeias. Linchamentos na África, no Brasil e nos EUA. Estas, dentre outras formas de violência acontecem, infelizmente, há séculos e em praticamente todos os lugares. Não são exclusividade de um povo, de uma religião, de um tempo. No final das contas, será que a violência é o que nos iguala?

Angeli. Folha de S.Paulo, 24/201/2015.
A seguir o interessante artigo Espelho do mal, de Leandro Karnal, publicado no caderno Aliás, d'O Estado de S.Paulo, em 07 de fevereiro de 2015:

A marcha da história é um espetáculo terrível de atrocidades. A humanidade queima, empala, tortura, executa, cria câmaras de gás, mata de fome, bombardeia, enforca, esquarteja, leva à cadeira elétrica, perfura de balas, atropela e esmaga. Sempre foi assim, mas variam nossos mecanismos de crueldade e de violência. O que limita nossa crueldade é nossa tecnologia. Se alguém cair em tentação de atribuir à religião essa violência, deve aumentar a lista com dois tiranos campeões de genocídio, Stalin e Mao, ambos ateus. Não é Deus nem a raça; não é o momento nem as riquezas - somos nós mesmos. A semente do mal não germina em nós, nós somos o mal. Se a água que a rega é piedosa ou cientifica, ateia ou mística, tanto faz para as vítimas. LEIA NA ÍNTEGRA AQUI.