quarta-feira, 27 de maio de 2015

Não, não é isso, mas é isso também.

por Julio Canuto

O objetivo deste blog é trazer olhares alternativos. Não cabe aqui defender uma verdade, mas apenas provocar a reflexão. A verdade, se existe, é inalcançável. O que há são ângulos, pontos de vistas, verdades particulares e algumas mentiras ou equívocos. Por isso o título confuso dado a essa postagem.

O vídeo a seguir cai como uma luva para o objetivo do blog. Trata-se de uma entrevista com Jorge Caldeira, cientista político, que nos mostra um outro ponto de vista da história do Brasil. Para ele, o Brasil foi feito de baixo pra cima, do povo para a elite, e não o contrário. Essa afirmação contraria vários pensadores brasileiros que servem de base para a nossa formação sociológica. O brasileiro da periferia domina mais os valores do Brasil que os acadêmicos. O tal "brasileiro médio" é o que sabe viver o Brasil, e para isso não é necessário teorizar e, desconfio, seja uma tarefa quase impossível. 

A provocação, no entanto, não é feita por um "brasileiro médio", mas por um acadêmico, e certamente se você tem algum interesse pelo tema da formação do Brasil, irá se interessar em assistir essa entrevista disponível no canal de Jorge Mautner, no youtube, na série ONCOTO. 

Uma longa e interessantíssima conversa.

domingo, 12 de abril de 2015

Manifestando o que?


OLHA O (BAIXO) NÍVEL!!!

Imagem encontrada em Blog da Cortesã

Diga-me com quem manifestas e.....
Em São Paulo, manifestantes formaram fila para tirar uma foto com militar reformado Carlos Alberto Augusto, mais conhecido como “Vovô Metralha”. Portal Forum
Sabe quem é Carlos Alberto Augusto? Conheça-o em Memórias da Ditadura.

Manifestantes tiram selfies com o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) perto do metrô Brigadeiro, em São Paulo.
Imagem Folha de S.Paulo.

Para saber mais leia a matéria de Cláudia Antunes na Revista Piauí, intitulada Tea Party à brasileira.

E assista ao vídeo da TV Folha: "Em ato contra governo, manifestantes explicam por que foram às ruas".



Enfim, nem uma palavra contra a PL 4.330/04. Também não se falou contra o financiamento de campanhas, mas apenas um genérico "pela reforma política". Apenas camisas da CBF gritando contra a corrupção. Acho que não é preciso dizer mais nada.
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Sobre o atual momento político: Haja política! Haja estômago!


sexta-feira, 10 de abril de 2015

RETROCESSO! - O PL 4.330/2004

por Julio Canuto

Coisas estranhas acontecem no Brasil atualmente.

É possível um povo, através do direito democrático de manifestação optar pelo fim da democracia? Pois já ouvimos alguns pedindo intervenção militar nas recentes manifestações. É possível trabalhadores optar pela precarização do seu trabalho? Pois há "representantes dos trabalhadores" que defendem esse absurdo (acesse link ao final do parágrafo).  Sem a voz das ruas gritando contra, a Câmara do Deputados aprovou na noite de quarta feira o Projeto de Lei 4.330/04, texto original do deputado Sandro Mabel (PMDB-GO) e substitutivo (PL 4.330-A/2013) do deputado Arthur Oliveira Maia (PMDB-BA), que permite que as empresas terceirizem todos os seus setores, inclusive as atividades fim. 


Como em outras épocas, a contratação de recursos humanos acaba por ser definida pelo menor preço. Isso permite que outras manobras sejam feitas para que os custos diminuam ainda mais. A especialização de mão de obra fica em ultimo plano... Ou pior, é prejudicada!

Há vários motivos para perceber que o PL 4330/04 é só um artifício para diminuir os custos das empresas, em nada contribuindo para a melhoria dos serviços e muito menos para o trabalhador. 

Trabalhei durante quase oito anos em uma instituição financeira federal nesse sistema. Por onde passei, independente da atividade a ser executada, e quase todas ligadas ao setor contábil ou até mesmo puramente contábeis, todos eram registrados como digitadores. Não éramos bancários, apesar de executar um serviço contábil, conversar diretamente com gerentes e supervisores de agências e daí por diante. 

Naqueles quase oito anos foram entre quatro ou cinco empresas que passaram pela instituição, cada vez apresentando uma situação ainda pior ao trabalhador. Se de início havia uma prestadora que fornecia assistência médica, vale refeição e transporte, a próxima retirava a assistência médica, até chegar ao cúmulo de se contratar uma cooperativa, pois o trabalhador ficava responsável por fazer seus recolhimentos previdenciários (e que praticamente não permitia a participação dos trabalhadores da maneira como prega o cooperativismo, contratando e demitindo como uma empresa comum faz). Inevitavelmente as consequências foram inúmeros processos trabalhistas, com prestadoras de serviço que decretaram falência, deixando seus funcionários a ver navios. 

Mas se o trabalhador é a ponta mais fraca, o que sofre toda a pressão por metas e recebe bem menos do que deveria se estivesse devidamente formalizado na função a que realmente exerce, o consumidor também sentirá os efeitos disso. Voltando ao exemplo da instituição financeira: por serem contratados digitadores, obviamente a exigência de qualificação dos funcionários não era a adequada para exercer a rotina contábil, o que resulta em um serviço também precário. Portanto, o argumento da especialização é pura enganação. 

Ademais, a redução salarial também acaba por impactar negativamente a arrecadação, base dos programas sociais. Assim, pretende-se estimular a economia diminuindo os custos trabalhistas, mas às custas do trabalhador, que no final das contas é quem realmente movimenta a economia com o trabalho e o consumo. 

Para finalizar o exemplo citado, no ano de 2005 funcionários concursados passaram a ocupar seus cargos na instituição financeira. Vi aquilo com bons olhos (estava naquela época procurando mudar de área, pois estava na faculdade), mas muitos colegas se desesperavam a espera da demissão. No entanto, tratava-se de uma correção: os trabalhadores que estavam chegando seriam enfim respeitados como integrantes da categoria, recebendo o salário correspondente a suas funções e, naquele caso, com a estabilidade do funcionalismo público. 

Enfim, a aprovação do PL 4.4430/04 pela Câmara representa um imenso retrocesso e até mesmo um desrespeito a nossa Constituição. Aprovado, o texto agora segue para o Senado. Corremos o risco de voltar a ver acontecer a precarização em masa. Será que nas novas manifestações programadas para este final de semana as vozes se levantarão contra o PL4.330/04? Veremos.



SAIBA MAIS (clique no título):

Terceirização: entenda o polêmico projeto de lei 4.330. Artigo de Márcio Juliboni na ISTO É, Dinheiro. 07/04/2015.

Riscos da terceirização exacerbada. Artigo de Fábio Ribeiro da Rocha, Juiz do Trabalho Substituto do TRT-2, publicado por Frederico Vasconcelos na Folha de São Paulo, 09/04/2015.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Diga não às doações empresariais na política! (Campanha Avaaz)

As doações empresariais para políticos estão destruindo a nossa democracia, mas o Ministro Gilmar Mendes pode impedir este desastre! Ele se recusou a agir por 1 ano, por isso a Avaaz está organizando um ato de aniversário na frente do Supremo Tribunal Federal para mostrar que chegou a hora -- assine a petição agora e repasse para todos: 


Caros amigos,



É simples -- 95% de todas as doações para as campanhas eleitorais vieram de empresas privadas. Uma ação no STF quer acabar com esses repasses milionários para candidatos e seus partidos políticos, mas o processo emperrou nas mãos de um único ministro: Gilmar Mendes. Mas até agora ninguém conseguiu convencê-lo -- assine e compartilhe:

assine a peticao
Neste momento corre uma ação no STF que pode proibir empresas de doarem milhões para candidatos e partidos políticos. Especialistas dizem que esse é o "gene da corrupção” e, para combatê-lo, precisaremos de todos. 

95% de todas as doações para campanhas eleitorais foram feitas por grandes empresas -- inclusive as envolvidas no escândalo Lava-jato. É assim que as empresas investem para então ganhar em troca acesso ao poder e influência, mas isso está prestes a mudar. 

A maioria dos ministros do STF já votou pelo fim dessas doações, mas o processo emperrou nas mãos de um único ministro: Gilmar Mendes. 

Ninguém conseguiu convencê-lo ainda. Ele sabe que não pode segurar a decisão para sempre, mas sem pressão ele vai levando -- já levou por 1 ano!! Vamos mostrar ao ministro Gilmar que centenas de milhares de brasileiros se uniram contra o gene da corrupção. Assine para conseguirmos a maior mudança da política brasileira nos últimos anos --depois repasse para todos:

https://secure.avaaz.org/po/devolve_gilmar/?bjuBFab&v=56503

Se essa ação judicial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no STF for aprovada, nossa Constituição passará a dizer que só cidadãos podem escolher os representantes políticos. Hoje, os principais doadores acabam influenciando as eleições e são recompensados com a lealdade e contratos públicos generosos após seus candidatos serem eleitos. Pesquisas mostram que a cada R$1 doado por uma empresa a um candidato, R$8,50 retornam por meio de contratos públicos -- um lucro exorbitante das empresas às custas de nosso voto

Os que se opõem à mudança dizem que se proibirmos doações de empresas, aumentará o fluxo de dinheiro pelo caixa dois, o que tornará investigações mais difíceis. Mas o caixa dois já existe hoje e pouco se fez para impedir que aconteça! Se empresas não puderem contribuir com candidatos, será mais simples detectar campanhas com muito dinheiro e o caixa dois deve secar. 

A lei permite que ministros peçam vista de um processo por apenas 20 dias, mas uma manobra burocrática vem segurando o julgamento já há mais de 1 ano!! Há indícios de que ele está esperando deputados que, assim como ele, são favoráveis ao dinheiro de pessoas jurídicas e preferem legalizar as doações de empresas mudando a Constituição de uma vez. 

Mas o que Gilmar precisa saber é que o Brasil não pode mais esperar! Junte-se a essa ação urgente agora -- vamos engrossar o apelo da OAB com nossas vozes e abraçar essa chance de salvar o país da corrupção:

https://secure.avaaz.org/po/devolve_gilmar/?bjuBFab&v=56503

A relação entre o dinheiro e a política é um mal neste país. Mas cada vez mais, a voz do povo tem transformado os canais de poder e forçado por mudança. Foi assim quando ajudamos a aprovar a Ficha Limpa, com a PEC contra o voto secreto e muitas outras vitórias. Vamos nos unir mais uma vez e vencer mais uma batalha pela nossa democracia. 

Com esperança e determinação, 

Joseph, Michael, Diego, Carol, Maria Paz, Luis e toda a equipe da Avaaz 

Mais informações: 

Ação que proíbe doação eleitoral de empresas completa 10 meses parada no Supremo (Estadão)
http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,acao-que-proibe-doacao-eleitoral-de-empresas-completa-10-meses-parada-no-supremo,1619273 

Financiamento de campanha dificulta reforma política, dizem especialista (O Globo)
http://oglobo.globo.com/brasil/financiamento-de-campanha-dificulta-reforma-politica-dizem-especialistas-14404612 

Financiamento de campanha motivou desvios na Petrobras, avalia Toffoli (G1)
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/11/financiamento-de-campanha-motivou-desvios-na-petrobras-avalia-toffoli.html 

Empresas fazem doações para até oito partidos na mesma eleição (Rede Brasil Atual)
http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2014/01/empresas-que-mais-financiam-campanhas-optam-por-doacoes-para-tres-partidos-8005.html 

Maioria do STF vota pelo fim das doações de empresas para campanhas (Folha de São Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/04/1434761-maioria-do-stf-vota-pelo-fim-das-doacoes-de-empresas-para-campanhas.shtml 



A Avaaz é uma rede de campanhas global de 41 milhões de pessoas que se mobiliza para garantir que os valores e visões da sociedade civil global influenciem questões políticas nacionais e internacionais. ("Avaaz" significa "voz" e "canção" em várias línguas). Membros da Avaaz vivem em todos os países do planeta e a nossa equipe está espalhada em 18 países de 6 continentes, operando em 17 línguas. Saiba mais sobre as nossas campanhas aqui, nos siga no Facebook ou Twitter.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Curta Sexta Curta 31 - O emprego

por Julio Canuto

Depois de seis meses, voltamos com o Curta Sexta Curta. Em sua 31a. edição, você assistirá O Emprego, um curta metragem de animação de 2008.

Assista e reflita.

Direção: Santiago 'Bou' Grasso
Ideia:Patricio Plaza
Animação: Santiago Grasso / Patricio Plaza
Produção: Opusbou



O EMPREGO

segunda-feira, 30 de março de 2015

Haja política! Haja estômago!

por Julio Canuto



Não localizada a autoria.
 Passados quinze dias "da maior manifestação desde as Diretas Já", as mudanças e reações do governo a crise econômica parecem caminhar de maneira lenta e muito disso se deve ao cenário político nas relações entre executivo e legislativo, nem um pouco favoráveis ao governo, tampouco para a população, que vive ao gosto dos arranjos e desarranjos da situação, oposição e do PMDB, esta terceira e grande força que joga - sim, esta é a palavra certa - com o poder.

O quadro é de confusão. Brevemente tentarei expor meu ponto de vista:

MANIFESTAÇÕES

De um lado uma manifestação grande, que demonstra muito descontentamento, direcionada contra o PT, mas que talvez até por isso, para não se caracterizar como partidária, acaba por não trazer elementos concretos. Apesar da adesão, não creio na força desse movimento (que são três diferentes!). Em primeiro lugar porque manifestar contra a corrupção ou contra o governo é muito vago. Assim como em 2013, quando outras pessoas aderiram as manifestações, o ato pode se perder por falta de foco. Naquela ocasião, o Movimento Passe Livre fez um ótimo papel ao fazer sua reivindicação focada e se retirando no momento oportuno, deixando claro o seu posicionamento e as suas lutas. Tanto é que deu resultado. Os demais que ficaram se manifestando por "mais saúde, mais educação, mais segurança", tiveram como resultado apenas discursos. Em segundo lugar porque manifestar-se contra a corrupção vestindo uma camisa da CBF é extremamente incoerente e põe em dúvida o sentido de toda mobilização. Talvez, estes estejam mais próximos daqueles que causaram um enorme vexame xingando a presidente na abertura da Copa do Mundo, ocasião que por conta o jogo, estavam com a camisa da seleção, e que ficaram conhecidos como yellow bloc.

PMDB

De outro lado, temos a centralidade do PMDB em todo esse processo. O PMDB se tornou o maior partido brasileiro: tem a Vice Presidência da República, conta com grande bancada na Câmara dos Deputados (elegeu 65 deputados em 2014, dos 513), 18 dos 81 senadores, muitos governadores e mais de 1.000 prefeitos. Ainda assim, e apesar de sua rica história na reconquista da democracia brasileira, quando ainda era denominado MDB, não mostra claramente um projeto de nação, sobressaindo muito mais as divergências entre seus líderes, alguns dos quais apoiam o governo e outros claramente de oposição. A imagem que fica para a população, infelizmente, é a de um partido que vive na conveniência de ser imprescindível para a governabilidade apenas na quantidade de representantes, não como norteador de políticas. Pior, parece estar acomodado nessa situação, variando nas motivações para isso a depender do analista.

GOVERNO

Por fim, o governo tem se isolado. Perdeu boa parte de sua base de apoio (leia a matéria: "de cada 10 aliados, 3 votam contra Dilma"), tem baixo apoio popular e até mesmo o partido da presidência mostra muito descontentamento com as decisões. A presidente, aliás, foi muito criticada com a nomeação de seu ministério, inclusive por seus próprios eleitores. Nomes como Kátia Abreu, Gilberto Kassab e Cid Gomes não foram bem vistos. O pior é que até mesmo dentro do governo há criticas contra a presidente, como as reiteradas falas de Joaquim Levy, ministro da Fazenda, nomeado para "agradar o mercado".  

CONGRESSO NACIONAL

Junta-se a isso a aparente paralisação das atividades por conta das investigações e revelações da operação Lava Jato, sobre os crimes de corrupção na Petrobrás, o que impacta negativamente tanto a imagem do país no mercado internacional, como a economia interna, com reflexos no desemprego. Com este cenário arrastam-se as ações e medidas para enfrentar o período. A Câmara, ao invés de atuar para a melhoria dos rumos do país, parece mais interessada em montar um palanque criando uma CPI que não serve para absolutamente nada, uma vez que as investigações já ocorrem desde o ano passado. Voltando as ações, muitas são impopulares pois afetam diretamente os trabalhadores. Óbvio que muitas coisas na legislação trabalhista, mais cedo ou mais tarde, teriam de mudar, pois o mercado de trabalho tem mudado, e mesmo a estrutura etária da população tem mudado. O problema é que não se falou sobre isso ate então, e mesmo agora essas mudanças se apresentam apenas como medidas para cobrir o rombo fiscal, e não para reorganizar a estrutura dos direitos trabalhistas, tornando-o mais adequado a realidade. Ou seja, um claro sinal de que quem pagará as contas pelos erros do governo são os trabalhadores. 

Uma outra alternativa para cobrir o rombo fiscal é a taxação das fortunas, da qual Joaquim Levy é contra, mas parece estar caminhando nesta direção. O problema, neste caso, é enfrentar as possíveis resistências, já que neste grupo dos mais ricos estão as famílias, Marinho, Civita, banqueiros, donos de construtoras e também o Grupo JBS, a maior doadora da candidatos. Isto é, mídia, bancos, construtoras e o maior doador. Seria uma boa briga. 

Sobre isso, vale a pena navegar pela página "Eles elegem", do Estadão Dados, para ver quanto cada deputado recebeu de doação e de quais empresas: http://estadaodados.com/eles_elegem/# A JBS doou para todos!

Haja política! Haja estômago!

Fernando Vieira. Confusão.
Enfim, há os que comparam o atual momento com o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, que teve um primeiro ano bem difícil, mas depois foi se recuperando, embora tenha encerrado seu mandato com alto índice de desaprovação, resultando na derrota nas urnas em 2002.

Penso que realmente estamos em um momento delicado e muito dessa situação foi causada por sustentar uma economia baseada no consumo, quando ainda cerca de 40% da nossa força de trabalho não completou o Ensino Fundamental. Este é, na minha opinião, o maior problema a ser enfrentado e que não é novo, e que apesar do lema do atual governo - Pátria Educadora - não me parece se concretizar grandes esforços nesse sentido. Infelizmente.



terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O horror, a humanidade

por Julio Canuto

Execução pelo Estado Islâmico, Inquisição pela Igreja Católica, o microondas nas favelas cariocas: a morte pelo fogo. Decapitações pelo EI, por presidiários no Maranhão, ou nas guilhotinas europeias. Linchamentos na África, no Brasil e nos EUA. Estas, dentre outras formas de violência acontecem, infelizmente, há séculos e em praticamente todos os lugares. Não são exclusividade de um povo, de uma religião, de um tempo. No final das contas, será que a violência é o que nos iguala?

Angeli. Folha de S.Paulo, 24/201/2015.
A seguir o interessante artigo Espelho do mal, de Leandro Karnal, publicado no caderno Aliás, d'O Estado de S.Paulo, em 07 de fevereiro de 2015:

A marcha da história é um espetáculo terrível de atrocidades. A humanidade queima, empala, tortura, executa, cria câmaras de gás, mata de fome, bombardeia, enforca, esquarteja, leva à cadeira elétrica, perfura de balas, atropela e esmaga. Sempre foi assim, mas variam nossos mecanismos de crueldade e de violência. O que limita nossa crueldade é nossa tecnologia. Se alguém cair em tentação de atribuir à religião essa violência, deve aumentar a lista com dois tiranos campeões de genocídio, Stalin e Mao, ambos ateus. Não é Deus nem a raça; não é o momento nem as riquezas - somos nós mesmos. A semente do mal não germina em nós, nós somos o mal. Se a água que a rega é piedosa ou cientifica, ateia ou mística, tanto faz para as vítimas. LEIA NA ÍNTEGRA AQUI.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Trabalho e Desenvolvimento Humano

por Julio Canuto

Abaixo você tem a 12a entrevista da série de vídeos produzida sobre o Atlas Brasil 2013. Tenho visto os demais vídeos, mas achei este muito interessante por trazer o diretor do Escritório do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o economista bengalês Selim Jahan, principal autor do documento que terá o tema "Repensando o trabalho para o desenvolvimento humano", no qual propõe uma reformulação para ampliação do conceito de trabalho. Como você verá a seguir, são questões muito importantes e bastante atuais, para repensarmos nossa sociedade, o papel dos diferentes tipos de trabalho, da renda e, principalmente, nosso lugar nela, sempre tendo como principal premissa (que permanece desde o início do RDH): as pessoas são a verdadeira riqueza das nações.

Para receber as notícias e séries do PNUD, inscreva-se no site.

Para consultar o IDH de seu município, acesse o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil.


Série “Atlas Brasil 2013 - Desenvolvimento Humano em debate”: Selim Jahan

O economista bengalês fala sobre a evolução do conceito de desenvolvimento humano nas últimas décadas e sobre o novo mundo do trabalho, tema do próximo RDH.
    Duas mulheres alimentam bebês no orfanato Vienping
    O TRABALHO DE ASSISTÊNCIA E DE CUIDADOS, GERALMENTE PRESTADO POR MULHERES, TAMBÉM SERÁ ABORDADO NO PRÓXIMO RDH. FOTO: LIBA TAYLOR/ UN PHOTO.

    Acesse o Atlas Brasil.

    O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil é um site de consulta ao Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e a mais de 200 indicadores socioeconômicos que apoiam sua análise. Com dados dos Censos Demográficos de 2010, 2000 e 1991, o Atlas traz informações dos 5.565 municípios brasileiros, dos 27 estados, de 16 regiões metropolitanas e mais de 9 mil Unidades de Desenvolvimento Humano (UDH). 
    30 Janeiro 2015
    do PNUD

    O mundo atual possui inúmeras diferenças em relação ao que possuía duas décadas e meia atrás, quando foi lançado o primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano, em 1990. A premissa daquele relatório, no entanto, continua a mesma até hoje: as pessoas são a verdadeira riqueza das nações.  

    O documento que traz o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) surgiu como um contraponto à visão de desenvolvimento da época, que usava o Produto Interno Bruto (PIB) como único indicador, e tornou-se referência mundial sobre o tema, colocando as pessoas no centro do debate. 

    Durante esse tempo, explica o diretor, o conceito de desenvolvimento humano, que trata basicamente de ampliar as escolhas das pessoas para que elas possam ser aquilo que desejam ser, foi alargado em duas frentes. 

    Uma delas diz respeito à noção de segurança humana: a violência nas ruas ou doméstica e  até mesmo a segurança alimentar, por exemplo, são questões importantes que podem limitar a liberdade das pessoas e comprometer o desenvolvimento humano. A outra abordagem incorporou a noção de Direitos Humanos, “porque ter direitos funciona como uma base sobre a qual você pode expandir suas escolhas. Se você não tem direitos, se os seus direitos são violados, independente das escolhas que você tem, você não pode exercê-las”, afirma Jahan.

    O mundo do trabalho: tema do RDH 2015

    Repensar o conceito de trabalho e como ele pode impactar o desenvolvimento humano será a missão do próximo Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) do PNUD, de acordo com o economista e principal autor do documento.
    Capa do RDH
    RDH 2014. IMAGEM: DIVULGAÇÃO PNUD.
    “Quando falamos de trabalho, basicamente, falamos sobre empregos tradicionais, mas sabemos que em nossa vida familiar, em nossa vida comunitária, há o trabalho de cuidado no seio das famílias e sociedades. Há trabalho voluntário que as pessoas fazem, há também o trabalho criativo - dos escritores, dos pintores, dos músicos. Todos estes conduzem ao desenvolvimento humano”, diz.

    Por outro lado, o diretor do Escritório do RDH questiona a relação positiva entre trabalho e desenvolvimento humano. Ele explica que alguns tipos de trabalho, como o trabalho forçado ou que envolvam grandes riscos, por exemplo, são o oposto e atrapalham o desenvolvimento humano. 

    Outro aspecto que será abordado no próximo RDH é  o chamado trabalho de cuidados, também conhecido como trabalho de assistência (do inglês, care work). Essa modalidade - geralmente não reconhecida e valorizada - é prestada por mulheres na maior parte do mundo e, por isso, possui um forte aspecto de gênero que deve ser estudado para entender suas dinâmicas e implicações para o desenvolvimento humano.

    A reinvenção do mundo do trabalho também trouxe mudanças que estão sendo incorporadas gradualmente nas sociedades. O trabalho à distância, por exemplo, já é uma realidade. Jahan defende que escritórios não são mais necessários já que graças aos avanços tecnológicos é possível trabalhar de qualquer lugar. E a revolução digital não para por aí. A previsão é que, nos próximos anos, algumas ocupações devem desaparecer enquanto diversas outras irão surgir. “Em um estudo recente, li que as crianças que irão nascer daqui a 20 anos, por exemplo, ainda não tiveram seus trabalhos inventados”.
     
    Lidando com números: o problema em usar médias

    A parte mais técnica da entrevista fica por conta de um tema recorrente no universo estatístico: a desagregação de dados. Para o diretor do Escritório do RDH, o uso de médias em dados socioeconômicos pode mascarar as disparidades e desigualdades que existem em um determinado território, trazendo altos e baixos para uma espécie de meio-termo.

    Por esse motivo, o economista sugere a desagregação por raça e gênero como um caminho que auxilia o país a visualizar suas conquistas e seus desafios nesses temas. “A desagregação é absolutamente necessária porque ela auxilia a formulação de políticas, porque a menos que você desagregue os dados e veja onde estão os problemas, você não pode formular políticas públicas para lidar com essas questões”.

    Assista na íntegra a entrevista com Selim Jahan, economista e diretor do Escritório do RDH do PNUD: 


    Série de vídeos “Atlas Brasil 2013 – Desenvolvimento Humano em debate”

    As entrevistas para a série Atlas Brasil 2013 – Desenvolvimento Humano em debate foram gravadas com representantes de governos estaduais e municipais, ONGs, setor privado, academia, entre outros.

    Cidadania, transparência, gestão pública e indicadores municipais são os temas centrais das entrevistas, que procuram demonstrar como indicadores de desenvolvimento humano podem colaborar para o empoderamento da sociedade, orientando caminhos e provocando a reflexão sobre os rumos do desenvolvimento humano no país.

    Acompanhe a série também pelo canal do PNUD Brasil no YouTube.

    segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

    Panorâmicas cariocas

    por Julio Canuto

    Clique nas imagens para ampliar.


    Maracanã
    Arpoador
    Urca
    Clube de Regatas Guanabara
    Parque Lage
    Café 18 do Forte - Forte de Copacabana
    Forte de Copacabana

    sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

    2015 de mudanças?

    por Julio Canuto

    O ano de 2014 terminou. Talvez, ainda não. Aliás, há quem possa imaginar que ainda estamos em 2013. As manifestações de junho daquele ano, em princípio muito bem focadas no aumento das tarifas do transporte público, foram ganhando outras dimensões. Várias outras pautas ganharam as ruas, nas vozes de pessoas que nunca estiveram em uma manifestação e até mesmo as viam com algum preconceito. Mas o fato mais importante é que ficaram evidentes o descontentamento generalizado, bem como as divisões de nossa sociedade. 

    Os grandes eventos da Copa das Confederações e Copa do Mundo acirraram os ânimos. Particularmente vejo que o brasileiro soube separar sua preferência esportiva do seu descontentamento com a situação do país - e não me refiro aqui exclusivamente ao governo federal, mas a todas as instâncias de governo nos três níveis, isto é: executivo, legislativo e judiciário; e federal, estadual e municipal. Não por acaso, o tema das eleições de 2014 foi "mudança". Até mesmo quem tentava a reeleição levantou essa bandeira. 

    No entanto, os mandatos começam e a realidade de impõe. Para mudar, é preciso olhar o passado, organizar o presente e planejar muito bem o futuro, afinal o tempo de promessas acabou. Analisando os discursos de posse neste 1º de janeiro, notei que a temática da mudança, com ambiciosos planos e projetos, deu lugar outros três: reformar, apurar e organizar. Ao menos para os que iniciam seus mandatos assumindo o Estado governado anteriormente por um opositor, a mensagem transmitida é que se pretende encerrar 2013, isto é, "zerar" o descontentamento e iniciar novo ciclo, se houver tempo.  Cito, a seguir, três exemplos.

    REFORMA

    O discurso mais contundente foi o do governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PDT). Além de anunciar a demissão de 2000 servidores em cargo comissionado, com a convocação de aprovados em concursos públicos, matéria da Folha de S.Paulo informa que:

     “O governador afirmou que cobrará das empreiteiras responsáveis a conclusão das 44 obras da Copa do Mundo que estão inacabadas, como o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que já consumiu R$1 bilhão dos cofres estaduais e ainda se encontra em estágio inicial de desenvolvimento” 

    Leia a matéria na íntegra clicando AQUI.


    APURAÇÃO

    Em Minas Gerais, o governador eleito Fernando Pimentel (PT) anunciou que fará um levantamento da situação do poder executivo. Para tanto, nomeou Mário Spinelli para a Controladoria-Geral do Estado, que atuou na gestão de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo, sendo responsável pela apuração da máfia do ISS. Disse o governador:

    “Não se trata de uma mera auditoria de contas públicas. É algo muito maior e mais importante. É uma explicitação do ponto de onde estamos partindo em termos econômicos, sociais, de desenvolvimento humano e também das finanças. Mas nosso objetivo não é olhar para o passado, e sim definir o ponto de partida para o futuro” 
    [...]
    “Não faremos caça às bruxas. Vamos tratar o dinheiro dos cidadãos de Minas Gerais com respeito. O que tiver de ser feito será”. 

    Leia a matéria do Estadão na íntegra clicando AQUI. 

    ORGANIZAÇÃO

    Com grande déficit nas contas públicas, o novo governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), também teve o tom de zerar o passado. Estima-se que o antigo governador, Agnelo Queiróz (PT), tenha deixado o governo com uma dívida de R$2 bilhões, próximo a 15% da receita corrente líquida deste ano. Salários de servidores foram atrasados, bem como pagamento de empresas que prestam serviço ao governo. Vale lembrar que todo governo tem, no primeiro ano, o orçamento deixado pelo antigo ocupante do cargo.

     “Vamos trabalhar quatro anos para entregar uma Brasília melhor do que recebemos”
    [...]
    “Com certeza iremos fazer de tudo neste primeiro momento para equilibrar a economia a fim de não deixar nenhum salário atrasar”

    Leia a matéria do Estadão na íntegra clicando AQUI.

    Acesse as notícias sobre as posses dos governadores eleitos em todos os Estados clicando AQUI (Portal G1).

    OS RUMOS DO PAÍS: EDUCAÇÃO COMO PRIORIDADE

    No governo federal, a presidente reeleita Dilma Rousseff teve como grande foco de seu discurso o tema da Educação. Segundo ela, a Educação será "a prioridade das prioridades" e até mesmo o novo lema de governo faz referência a isso: Brasil, Pátria Educadora. 

    Todos os outros temas tratados, de certa forma acabam passando pela educação e aqui cabe uma observação: em 2011, em seu primeiro discurso em rádio e TV, a presidente que iniciava seu primeiro mandato já destacava a Educação, porém com maior destaque para a educação profissional. Na ocasião, publiquei postagem sobre o assunto neste blog, intitulada "O futuro da Educação no Brasil", colocando minhas ressalvas. 

    Além dos inevitáveis ajustes na economia e do combate a corrupção, em especial pelo vergonhoso caso da Petrobrás, Dilma anunciou, por exemplo, que aos beneficiários do Bolsa-família, "destaque será dado à formação profissional dos beneficiários adultos e à educação das crianças e dos jovens". 

    Afirmou a presidente: 

    “Só a educação liberta um povo e lhe abre as portas de um futuro próspero.
    Democratizar o conhecimento significa universalizar o acesso a um ensino de qualidade em todos os níveis – da creche à pós graduação; para todos os segmentos da população – dos marginalizados, os negros, as mulheres e todos os brasileiros”

    Mas além da continuidade e ampliação dos programas na área de Educação, a presidente também afirmou que a educação, como prioridade das prioridades, é a busca, em todas as ações do governo, de “um sentido formador, uma prática cidadã, um compromisso de ética e sentimento republicano”.

    Leia ou assista a íntegra do discurso clicando AQUI (matéria da Folha de S.Paulo). 

    Colocar a Educação como lema do governo é um avanço, ainda mais quando se destaca a importância da Educação para além da formação profissional. Por outro lado, já há muita dúvida em relação as pessoas escolhidas para liderar essa a missão: Cid Gomes como Ministro da Educação e Aldo Rebelo como Ministro de Ciência e Tecnologia não são especialistas nas áreas. Quem dera estar enganado!

    Para finalizar, a lista de compromissos de Dilma Rousseff:

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    Enfim, independente de ter votado ou não nos que hoje assumiram os cargos de presidente e governadores, espera-se o início de um ciclo de mudanças qualitativas, mas ao mesmo tempo - e necessariamente - será preciso reformar, apurar, organizar. Aliás, o debate em torno da REFORMA política precisa ganhar novo fôlego. Que tudo isso não fique apenas no discurso.